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Atualmente, o conceito de bem-estar animal tem crescido muito dentro de empreendimentos de fauna em todo o Brasil, visando promover melhores cuidados para os animais silvestres mantidos em cativeiro. Dessa forma, a avaliação de se o indivíduo se enquadra nesse parâmetro está intimamente correlacionada à interpretação que o mesmo apresenta diante de seu ambiente. Isso significa que o animal deve estar saudável (incluindo a medicina preventiva), receber uma boa nutrição (lembrando que existe uma diferença entre nutrir – fornecer uma ampla variedade de itens, a fim de garantir que o animal tenha acesso a todas as vitaminas, macro e micronutrientes necessários – e alimentar, que é a simples oferta da comida, sem verificar se a mesma está balanceada para a espécie), estar confortável no local, seguro contra qualquer intercorrência e, por fim, o ambiente deve proporcionar que o indivíduo expresse seu comportamento natural, como seria na vida livre, uma vez que os animais são seres sencientes e, portanto, estão sujeitos a manifestar dor, sofrimento psicológico, alegria, entre outros (WAZA, 2015).

Assim sendo, as instituições devem buscar meios de reduzir as experiências negativas e proporcionar as positivas (tais como desafios para escolhas que sejam boas) para cada animal. Para auxiliar nessa busca pela avaliação da qualidade de vida dos animais do plantel, é possível aplicar o conhecimento dos cinco domínios, conforme evidenciado abaixo (Figura 1) (WAZA, 2015).

1. ENRIQUECIMENTO

Estímulos, por sua vez, são trabalhados dentro dos enriquecimentos ambientais, com o objetivo de gerar respostas físicas e psicológicas através da escolha do animal. Portanto, os resultados esperados são: estimular a reprodução, alcançar respostas positivas ao público, aumentar suas atividades em cativeiro, diminuir a estereotipia, diminuir o estresse (que pode ser percebido em ações excessivas, como  lambedura, por Método dos cinco domínios. Fonte: Animal Welfare Strategy, 2015 exemplo), minimizar a agressão e episódios de automutilação e estimular o comportamento natural dos animais.

EXISTEM CINCO TIPOS DE ENRIQUECIMENTO:

  1. Alimentar: ofertar novos ou itens que não são frequentemente administrados, utilizar diferentes formas de apresentação do alimento, etc. Todavia, faz-se necessário considerar como é o hábito alimentar do animal em questão, frequência de ingestão, como é o forrageamento, dentre outros.

02. Sensorial: aplicar estímulos utilizando os sentidos da visão, olfato, audição, tato e paladar.

03. Social: é uma forma importante para o estímulo do comportamento do animal, seja para a busca de um esconderijo (presa) ou caça (predador), visto que envolve o contato intraespecífico (aproximação com indivíduos da mesma espécie) ou interespecífico (animais de outra espécie); ainda existe a possibilidade de executar a atividade sem o contato, através de sons de vocalização, fezes, espelhos, entre outros.

04. Cognitivo: são desafios que estimulam o animal a resolver “quebra-cabeças” para alcançar o objetivo, como algum item alimentar diferente, por exemplo.

05. Físico: pode ser empregado de diversas maneiras (obstáculos, objetos pendurados, poleiros, etc.) de forma a fazer com que o animal se exercite pelo recinto.

É extremamente importante salientar que todo enriquecimento ambiental deve ter um tempo de duração estabelecido, haja vista que se o item não for removido ou demorar para ser, se tornará uma ambientação e não será mais uma atividade nova para aquele indivíduo. Além disso, os resultados obtidos precisam ser cuidadosamente analisados, uma vez que a não interação do animal não significa um fracasso, mas talvez um indício para alterar o tipo de enriquecimento, horário ofertado e tipo de observação (câmeras traps e outros tipos podem ser usados para a observação em casos onde o espécime não interage com a presença humana). Também é possível combinar mais de um tipo de enriquecimento em uma atividade, fato importante para aumentar os desafios e estímulo no indivíduo (CORAT, 2009; GUTIERREZ-GOMES, 2021).

2. CONDICIONAMENTO

Existem dois tipos, o condicionamento clássico e o condicionamento operante, podendo ser vistos como dois tipos de aprendizagem associada, entre as quais existe uma diferença significativa. Estas duas formas de aprendizagem têm as suas raízes na Psicologia Comportamental, ou Behaviorismo. Essa escola de psicologia concentrava-se no comportamento externo de indivíduos, quando observáveis, e rejeitava a ideia de se estudar cientificamente o que não podia ser observado. O condicionamento clássico e o condicionamento operante podem ser considerados como duas das maiores contribuições da psicologia comportamental, que explicam duas dimensões diferentes de aprendizagem.

  • Condicionamento clássico – Informa que o estímulo neutro pode ser transformado em um estímulo condicionado, produzindo uma resposta condicionada.
  • Condicionamento operante – envolve condicionamento de comportamento voluntário, controlável através das suas consequências – reforços e punições.

NA WILDCARE TRABALHAMOS COM O CONDICIONAMENTO OPERANTE

O condicionamento por reforço positivo é uma importante técnica de bem-estar animal, utilizada na maioria das instituições, que proporciona um manejo menos estressante dos animais silvestres em cativeiro, evitando a necessidade da contenção química e/ou física para alguns procedimentos veterinários, por exemplo. Assim, o cronograma de frequência e duração deve ser estabelecido respeitando os limites do animal, oferecendo itens que eles mais apreciam quando obtiver o resultado desejado (lembrando que tudo deverá ser contabilizado na dieta).