Levantamento de Mastofauna

O grupo dos mamíferos difere-se dos demais grupos por apresentarem algumas características principais, como, por exemplo, ter o corpo total ou parcialmente coberto de pelos, possuírem sangue quente e temperatura corporal constante, e possuírem no sistema fisiológico algumas glândulas diferenciadas, incluindo a glândula mamária, responsável pela produção de leite que alimenta os filhotes no início de suas vidas, dando o nome a esse grupo animal. Atualmente, são conhecidas 5.488 espécies de mamíferos em todo o mundo, das quais cerca de 22% são consideradas ameaçadas, 63% estão fora de ameaça e 15% não possuem dados suficientes para definir o grau de ameaça. Além disso, 76 espécies já são consideradas como tendo sido extintas desde o ano de 1500 (IUCN, 2013). O Brasil é o segundo país com o maior número de mamíferos conhecidos, com 652 espécies, perdendo apenas para a Indonésia, que possui 670 espécies. Outros países com mais de 500 espécies descritas em seus territórios incluem a China (551) e o México (523) (IUCN, 2013).

Métodos utilizados: A maioria dos mamíferos possui hábitos crípticos ou noturnos, tornando sua observação na natureza mais difícil (BECKER; DALPONTE, 1991), o que é agravado pelo predomínio de grandes áreas de vida e densidade populacional baixa. Para os estudos com a Mastofauna, as metodologias mais comumente utilizadas são as seguintes:

  • Levantamento bibliográfico regional: Permite obter uma relação de espécies com potencial ocorrência para o local a ser inventariado, através de uma pesquisa baseada em dados secundários regionais sobre o grupo de fauna a ser estudado.
  • Entrevista: Técnica de consulta composta por uma série de perguntas abertas aplicadas aos moradores que residem na região de estudo, onde o profissional questiona sobre a existência de determinadas espécies. Para esclarecer dúvidas dos entrevistados, utilizam-se guias de campo, fotografias, gravações, enfim, todo tipo de material que auxilie na identificação correta das espécies.
  • Métodos de Observação Direta: Observação direta é a visão em tempo real do animal, que pode ocorrer em qualquer momento e em diversas ocasiões. Para realizar os estudos através de Observação Direta, empregam-se as seguintes metodologias: Caminhadas ou Censo; Armadilhas Fotográficas; Armadilhas de Captura (Tomahawk, Sherman) e Redes de Neblina.
  • Métodos de Observação Indireta: Considera-se observação indireta o registro de evidências deixadas pelos animais, tornando possível a identificação sem a presença em tempo real dos mesmos. As principais evidências deixadas pelos animais são pegadas ou rastros, vocalizações, fezes, carcaças, tocas e odor. Para facilitar o registro de algumas espécies pelo método indireto, utiliza-se a seguinte metodologia: Armadilhas de Pegada e Vestígios.